quinta-feira, 25 de setembro de 2008

O coronel e a não-intervenção

Ficou agora claro que o empresário venezuelano Guido Antonini transportou uma mala com 790 mil dólares como contribuição de Chavez para a campanha eleitoral de Cristina Kirchner á presidência da Argentina.É mais um episódio da longa lista de intervenções do coronel nos assuntos internos de outros países.Recentemente ameaçou enviar tropas à Bolívia para defender o discípulo Evo Morales e foi veemente rechaçado pelo comandante do Exército boliviano.Quando do incidente entre a Colômbia e o Equador ,a propósito do ataque a um acampamento das FARC na fronteira, o coronel ameaçou mobilizar tropas na fronteira colombiana.Enfim,Chavez é perito em desrespeitar o princípio da não-intervenção que, há mais de um século, é uma das colunas mestras da ordem jurídica continental.
É verdade que frequentemente suas tiradas não passam de fanfarronadas que caem no vazio.Mas ,de todo modo, é estranho que suas intromissões em assuntos de outros países não sejam repudiadas, pelo menos em público, pelos governos da América do Sul.

A UNASUL e a Bolívia

É positivo que a UNASUL recém-criada esteja assumindo um papel de protagonismo na Bolívia.À beira da guerra civil , o país precisava mesmo de um apoio externo para não resvalar para uma guerra civil.
Não fica claro porém se isto representa um aval ao governo de Morales.Pelo que reporta a imprensa, “Evo Morales visivelmente emocionado agradeceu o apoio dos presidentes” .Se assim for , estará sendo dado um incentivo à confrontação e à repressão.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Dificuldades no México

Depois de um começo vigoroso , o governo do presidente do México,Felipe Calderon, está cada vez mais acossado.Com menos de dois anos no poder,o governo enfrenta diversos desafios graves.
A estatal de petróleo PEMEX vê sua produção declinar e o objetivo de reformar a lei para permitir alguma flexibilização encontra grande resistência já que o monopólio é um dos maiores tabus nacionais e a esquerda, liderada por Lopez Obrador ( o rival derrotado por Calderon na última eleição presidencial) move um combate sem tréguas ao projeto de lei enviado pelo governo.
Por outro lado,os cartéis do narcotráfico tornaram-se muito agressivos e está em marcha uma verdadeira guerra contra as forças do Estado.Calderon resolveu usar unidades militares ,além da Polícia ,e elas tem sofrido grandes baixas ainda que a estratégia esteja sendo bastante bem sucedida.Tem havido também um aumento da criminalidade nos grandes centros urbanos ,especialmente de sequestros.
No plano econômico, o crescimento econômico está perdendo vigor, prevendo-se para 2008 um crescimento de apenas 2,4% contra 3,3% em 2007.A recessão econômica nos Estados Unidos deverá repercutir sobre a economia mexicana.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Luta de elefantes na África do Sul

Disse-me recentemente um antigo grande líder sul-africano, hoje afastado da política, que havia em seu país uma luta de morte entre dois grandes elefantes.
O primeiro deles,Thabo Mbeki, o presidente da África do Sul ,foi forçado a renunciar a seu cargo um ano antes do final.Era um intelectual de esquerda , o sucessor e herdeiro de Nelson Mandela, de quem fora o virtual primeiro ministro.Embora a economia sul-africana vá bem , a gestão de Mbeki ficou assinalada pelo fracasso no combate à AIDS e à pobreza.
O outro elefante é Jacob Zuma ,agora candidato à presidência escolhido pelo partido majoritário African National Congress(ANC).Zuma foi processado pelo Ministério Público sul-africano por corrupção mas conseguiu encerrar o caso.Imediatamente iniciou uma campanha para remover Mbeki e conseguiu o apoio das bases da ANC.Zuma é um populista , ligado aos sindicatos , sem cultura e sem ideologia mas com grande capacidade de articulação política.Será certamente o próximo presidente nas eleições do ano que vem.

Novo chefe de governo japonês

De retorno do Japão hoje, ouço a notícia da escolha de Taro Azo como o candidato do majoritário Partido Liberal Democrata , o que significa sua escolha para o cargo de primeiro-ministro.No Japão havia dúvidas a respeito mas a vitória de Taro Azo foi categórica ,por dois terços dos votos.
Sua tarefa é difícil.O partido vive sua maior crise nos últimos cinquenta anos ,pois vem perdendo terreno e pode deixar de ser majoritário se sua administração não for bem sucedida.Ora , a economia japonesa está perdendo velocidade e deve ser afetada pela recessão americana,já que os Estados Unidos são grande cliente das exportações japonesas.

Taro Azo é um conservador ,partidário de redução de impostos e mais gastos governamentais para estimular a economia.Nesse sentido, deve dar marcha atrás nas reformas liberalizantes que foram encetadas pelo ex-Primeiro-ministro Koizumi.
Nos últimos dois anos ,Taro Azo esteve duas vezes no Brasil e tem grande simpatia por nosso país pois aqui viveu ,segundo me contou em recente jantar na Firjan, anos felizes como administrador da filial brasileira do conglomerado pretencente à sua família há várias gerações.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Os preços do petróleo e o coronel

As contribuições da estatal venezuelana de petróleo (PDVSA) para programas de desenvolvimento social – as “ missões” na linguagem bolivariana- cairam 47% no primeiro semestre de 2008.É bom recordar que os preços do petróleo só começaram a cair em julho.
Isto sugere que, como a receita bruta subiu muito devido à alta do petróleo no período ,a PDVSA está aumentando seu investimento destinado a aumentar a capacidade produtiva.
Agora com a queda dos preços, o governo do coronel vai ter que fazer escolhas difíceis entre gastos sociais domésticos,compromissos internacionais e investimentos na produção de petróleo.Afinal a política externa venezuelana é toda baseada em grandes contribuições para países aliados como Cuba,Nicarágua,Bolívia e Equador.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Os grandes emergente são a variável crítica

Concluiu-se hoje a reunião do Conselho internacional da Toyota, na qual participei nestes dois dias em Nagoia,Japão.Como não podia deixar de ser a discussão principal foi em torno da crise financeira atualmente em curso.
O consenso entre os conselheiros não- japoneses foi de que a recessão americana começou no verão austral de 2007 e vai se aprofundando pelo menos até meados de 2009.A crise imobiliária que está na raiz dos problemas atuais deverá continuar até pelo menos 2010.Quando se iniciará a recuperação ninguém pode prever .
Acredita-se que a Europa,o Japão e o Canadá também já encontram em recessão.O mais interessante é que diversos conselheiros, em especial os americanos, opinaram que a variável crítica agora é o comportamento das economias da China,Rússia,Brasil e India..Se elas também tiverem resultados decepcionantes, a recessão será global e provavelmente durará bem mais tempo.