segunda-feira, 31 de março de 2008

Negociações sobre mudanças climáticas

Começaram hoje em Bancoc as negociações para um acordo internacional sobre mudanças climáticas.Já existe um conjunto de diretrizes( road-map) ,que foram elaboradas em Bali em dezembro passado.Não há porém nenhuma garantia de que teremos uma conclusão até 2009,como previsto, para que seja possível obter as ratificações dos congressos necessárias à entrada em vigor em 2012 de um tratado sucessor de Kyoto.
Existem ,porém ,alguns avanços alentadores .Haverá um novo governo em Washington e todos os candidatos declaram-se comprometidos com a redução de emissões de CO2 , ao contrário de Bush.A Europa já acordou um regime bastante estrito de controles, ainda que tenha começado a tergiversar ,em tempos de menor crescimento econômico, no que diz respeito às limitações para suas grandes indústrias.A China,por sua vez, também tem demonstrado alguma flexibilidade.A Austrália ratificou Kyoto.E o secretário geral da ONU ,Ban-Ki Moon, tem se mostrado muito mais ativo no setor do que Koffi Anan.
A ciência das mudanças climáticas tem feito progressos significativos e suas projeções são cada vez mais preocupantes.Em diversos lugares do mundo já houve fenômenos que trouxeram à tona a gravidade dos impactos das variações do clima ,aumentando a sensibilidade da opinião pública internacional para o assunto.
Seria bom que o Brasil também evoluisse em sua posição, até agora de recusa de qualquer compromisso.

remessas de emigrantes

As remessas monetárias dos trabalhadores latino-americanos e caribenhos para seus países de origem chegaram a 66,5 bilhões de dólares em 2007,um cifra recorde segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento(BID).Isto equivale a mais do que o total do investimento direto estrangeiro e da ajuda externa somados , o que é um caso interessante de auto-ajuda.
Em 2007 porém houve uma redução importante nas remessas dos brasileiros que moram nos Estados Unidos em virtude da desaceleração da economia americana

Taxação dos lucros do petróleo

O governo venezuelano anunciou a imposição de uma nova taxa sobre os lucros das empresas que operam em seu território depois que o preço do petróleo ultrapassou 100 dólares.A medida assinala a terceira mudança significativa no regime fiscal do petróleo nos últimos anos.
Neste caso, a Venezuela segue a tendência internacional.Creio que o Brasil deveria pensar num caminho semelhante para a licitação de áreas abaixo da camada de sal no nosso “offshore”,na base da lógica de que sendo menor o risco maior deve ser a taxação.Esta alternativa é muito preferível à idéia de excluir 41 áreas dos futuros leilões e ,sobretudo , de modificar a Lei do Petróleo para recriar uma forma de monopólio estatal. Isto sim seria um retrocesso.

domingo, 30 de março de 2008

Sombras preocupantes sobre a Argentina

Com apenas três meses de governo,Cristina Fernandez de Kirchner já enfrenta os primeiros panelaços.Desde o desastre de 2001/2002 , que não havia manifestações em escala nacional dessa amplitude.
O início do movimento foi dado pelas quatro principais federações agrícolas em protesto contra a elevação do confisco para 44% das receitas da exportação de soja.Com bloqueios de estradas e paralisação da exportação, os produtores rurais já estão causando dificuldades de abastecimento e altas de preços.Por sua vez , o governo recusou-se a negociar e resolveu partir para o ataque acusando os ruralistas de “oligarcas e anti-nacionais” ,na velha tradição peronista.Com este endurecimento de posição, houve também uma nova escalada dos agricultores , com apoios bastante importantes na classe média urbana em todo o país.E o governo por sua vez apelou inclusive para os violentos “piqueteros” , a fim de atacar as manifestações.
Estes enfrentamentos e a subida da inflação – que os analistas já estimam em 27% - já atingem fortemente a imagem do Fernandez de Kirchner. Embora seja mais provável que as manifestações diminuam de intensidade, não há dúvida de que a credibilidade do governo está abalada, como indicam as pesquisas de opinião ,que já lhe atribuem apenas 47% de aprovação.E o inverno que se avizinha pode ser muito complicado pela carência energética do país.Vindo tão cedo no mandato da presidente Cristina, estas questões todas lançam uma sombra preocupante sobre a estabilidade da Argentina.

sábado, 29 de março de 2008

Alta dos alimentos

O preço do arroz subiu 50% desde janeiro desta ano, mais do que dobrando desde 2004 e acompanhando o movimento altista do trigo,milho e outros produtos alimentícios.Há sinais de que a especulação e a volatilidade comercial aumentam os movimentos dos preços.
É certo que os mais penalizados são os consumidores de mais baixa renda nos países em desenvolvimento.Além disso, são muito preocupantes as implicações destas altas para a segurança alimentar e a sua repercussão inflacionária mundial .
Nesse contexto, aumentam as pressões internacionais contra o uso de terras agrícolas para fins energéticos.No caso brasileiro, tais pressões são conjugadas a acusações de que a expansão da fronteira agrícola se faz com o desmatamento da Amazônia

Antártica sob ameaça

O Tratado da Antártica de 1979 é um dos melhores exemplos de boa governança internacional .O continente foi desmilitarizado,as reivindicações territoriais foram congeladas e restritas a sete países(Argentina,Austrália,Chile ,França,Noruega,Nova Zelândia e Reino Unido).Há também diversos países que se reservaram o direito de fazer futuras reivindicações territoriais (Russia e Estados Unidos) ou que apenas têm bases na Antártica (India,Brasil,China).Por outro lado, o continente foi reservado exclusivamente para a pesquisa científica.
Agora, porém , as circunstâncias estão mudando.Com o aquecimento global, há perspectivas de que a Antártica se torne menos inóspita.O turismo vem aumentando sensivelmente já chegando a 40 mil visitantes anuais.A pesca do krill vem se intensificando,geralmente de forma ilegal.E existe também a cobiça internacional sobre os potenciais recursos minerais e petrolíferos da região.É verdade que pelo Tratado de 1979 a exploração comercial é proibida mas , pela Convenção da ONU sobre Direito do Mar(UNCLOS) , os países signatários podem reivindicar direitos econômicos ampliados até maio de 2009 , o que poderia abranger a Antártica pois há hoje tecnologia para exploração de petróleo em condições anteriormente impensáveis.
Assim, todas estas pressões podem alterar o futuro do continente gelado.

Intervenção inaceitável

É inacreditável que o coronel Chavez venha ao Brasil , firme convênio de “ assistência social” com o MST, sob o olhar satisfeito de João Stédile, e ninguém diga nada .A intromissão nos assuntos internos dos vizinhos vai sendo cada vez mais praticada pela Venezuela “bolivariana”.
Imagine se o governo brasileiro firmasse um acordo para apoiar financeiramente uma organização estudantil de oposição a Chavez!