sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

As reformas de Sarkozy

Nicolas Sarkozy foi eleito com uma plataforma de reformas profundas ,capazes de tirar a economia francesa da rigidez que a impediu, nos últimos anos ,de ter performance comparável à alemã, à britânica ou à espanhola ,para só citar países da União Européia.Os eleitores aprovaram este programa explicitamente transformador e o jovem presidente francês começou seu mandato atirando em todas as direções.Mas ,como acontece sempre na França, as resistências à mudança aumentaram e a popularidade de Sarkozy caiu muito, em parte por culpa de seu comportamento pessoal.O ano começa com condições econômicas e políticas menos favoráveis do que no início de sua presidência.Embora os analistas considerem que o ímpeto reformista não está esgotado , é certo que as chances de êxito de Sarkozy são menores do que no marco zero de seu governo.

Saudades de Alan Greenspan?

Ben Bernanke, o atual chairman do Federal Reserve, é um acadêmico consagrado.Em toda sua carreira , estudou aplicadamente os temas cruciais do banco central americano ao longo da História e publicou “papers” importantes sobre todos eles.É um homem discreto , sem carisma, que chegou a esta posição importantíssima sem ter tido qualquer experiência prática no mundo da alta finança.Sucedeu a Alan Greespan , que é exatamente o contrário: um profissional com imensa bagagem profissional tanto no setor público quanto no empresarial, uma reputação de oráculo, um grande magnetismo pessoal , enfim ,uma lenda. Ora , o contraste não parecia ser tão prejudicial a Bernanke por que a economia americana navegava em mar de almirante. De repente ,verificou-se que o mercado imobiliário despencou, as tubulações do crédito estão entupidas,o preço do petróleo passou de cem dólares o barril,as pressões inflacionárias são mundiais e a recessão ameaça a economia americana.
Greenspan aposentou-se em 2006,mas a Bernanke coube comandar a política monetária dos Estados Unidos em tempos difíceis. Seu dilema consiste em combater os riscos de recessão ou ficar firme na política anti-inflacionária que , em tese , deve ser a primeira preocupação do Fed.Nesta semana, ao depor no Congresso americano, vimos um Bernanke tenso e um tanto inseguro anunciar que a primeira prioridade é evitar a recessão e indicar que o banco central está pronto a reduzir novamente os juros depois de já tê-lo feito ,emergencialmente, duas vezes nas últimas semanas.
Será que esta decisão , acoplada ao pacote de estímulos que o governo propôs e o Congresso aprovou, será suficiente para deter a tendência negativa da economia americana? As opiniões estão divididas ,não se sabe.Mas a maioria dos observadores não esconde uma certa saudade de Greenspan.

As FARCS

Na nota "Gangorra" de 5 de fevereiro passado, havia-se registrado aqui o grande repúdio que as FARCs sofrem na Colômbia.Embora qualquer consideração democrática de legitimidade ou apoio político não lhes importe muito , estes senhores devem ter achado que algum gesto positivo não seria de todo ruim.Iniciaram então ,a conta-gotas, um processo de libertação de sequestrados.E isto já está-lhes rendendo dividendos de publicidade e até gratidão.
Seria bom que ninguém esquecesse- e muito menos nenhum governo democrático como o nosso- que as FARCs são uma organização criminosa que trafica com drogas, colabora com bandidos como Fernandinho Beira-Mar, sequestra e mantem pessoas em cativeiro para obter resgates ,além de pegar em armas há décadas contra um governo legal e constitucional, como o da Colômbia.As FARCs não são ,portanto,um partido político legítimo e nem deveriam merecer qualquer consideração.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Bolsas

As duas bolsas chinesas estão em baixa prolongada.A de Xangai já caiu mais de 30% desde outubro.Se esta tendência persistir e a bola de neve ocorrer, vai–se poder falar de um colapso. Isto ocorre magrado a excepcional performance da economia chinesa e a necessidade que o governo de Pequim tem de manter as aparências a poucos meses das Olimpíadas.
Enquanto isso, a nossa BOVESPA não só recuperou como já ultrapassou os níveis mais altos do ano passado.É bom ,entretanto ,que o governo não comece a dizer que o Brasil já está desbancando a China como a locomotiva do mundo.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Déficit de gás

A dupla Nestor e Cristina Kirchner desarrumou a política energética da Argentina de tal modo que, agora, para evitar um mega-apagão (que pode ocorrer se o inverno for rigoroso) precisa correr atrás de soluções paliativas.A curto prazo, como já comentado aqui , não virá muita ajuda nem do Brasil ,nem da Bolívia.Resta então ir atrás de uma ajudinha do coronel.Lá vai a presidenta a Caracas pedir um reforço de diesel e óleo combustível para substituir o gás natural escasso.
O déficit de gás – que resulta de erros de política governamental- vai durar um bom tempo e vai, seguramente, ser um obstáculo ao crescimento econômico da Argentina.

Protecionismo em alta

No Partido Democrata, os dois candidatos competem para mostrar quem é mais protecionista.Hillary fez uma declaração incrível no debate de ontem,dizendo que “era contra o NAFTA desde o começo mas não podia falar por que estava no governo.”Já Obama retrucou que era mentira pois Hillary já tinha dito que o tratado tinha sido “bom para a América”.Recorde-se que o NAFTA foi um dos pontos altos do governo Clinton, ajudando o marido de Hillary a derrotar pesadamente em 1996 a Ross Perrot, que gastou milhões de dólares para vender a tese de que “esse acordo representava um gigantesco ralo por onde sumiam os empregos americanos” .
O NAFTA é o paradigma dos acordos bilaterais de comércio. Como ambos os democratas anunciam seu propósito de renegociá-lo para acrescentar clásulas ambientais e trabalhistas(obviamente protecionistas) e um deles deve ser o próximo presidente dos Estados Unidos, o livre comércio vai provavelmente sofrer mais um golpe duro.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Obama e JFK

É frequente hoje nos Estados Unidos ouvir que Barack Obama é um novo John Kennedy.Será?
Sem dúvida , existe um profundo descontentamento com os rumos do país.Ouvi de um grande estudioso de pesquisas de opinião que mais de 70% dos americanos julgam que a vida de seus filhos será pior do que a sua e que o prestígio e o poder dos Estados Unidos no mundo nunca estiveram tão baixo.Obama de algum modo representa uma promessa de novos horizontes.Com sua oratória brilhante, conseguiu tornar-se o político do momento, o homem que dá maior energia à idéia de um novo papel de seu país no cenário internacional.Do ponto de vista da comunicação , Barack é fortíssimo e por isso o paralelo com o líder mítico dos anos 60.
A campanha contra sua irresistível ascenção vai agora sendo focada na sua capacidade de conduzir os Estados Unidos. Naturalmente , surgem também argumentos mais baixos sobre a pessoa de Obama,mas sempre haverá algum jogo menos limpo contra um candidato que lidera as pesquisas. As perguntas que estão na mente dos céticos de mais peso são : um homem que nunca geriu nada , pode ser presidente ? As brilhantes idéias que ele apresenta com tanta eloquência têm substância e viabilidade? Será que ele seria capaz de crescer quando confrontado com desafios tremendos como JFK na crise dos mísseis de 1962, que quase levou o mundo à guerra nuclear?
O paralelo com Kennedy é poderoso pelo apelo mediático de Barack Obama.Mas as perguntas no ar não podem ser desprezadas.